sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008


s/t

Alguns dos alunos que tive, ao longo destes anos que já são muitos, destacaram-se e fizeram carreira como profissionais. Outros optaram pela arte fotográfica e expõem.

C. C. fez esta foto em digital, com uma máquina de amador, iam decorridas algumas lições de introdução e composição. Depois desta imagem, já publicou outras fotos em diversos jornais regiomais.
Vai no bom caminho

Retrato retratado


Esta foto foi tirada pela minha amiga, Paula O'neill, durante o festival de Moda Adaptada em Tours - França, a quem agradeço deste modo.
A. Roque






MANIFESTO – TA - TE

Tapa os olhos
Fecha os ouvidos
Liberta-te
Aprende a dizer NÃO!
A votar MÃO!
A gritar NÃO!
NÃO!  NÃO!
Ou se quiseres
BASTA!

Falta-te coragem
Eles sabem
Que há muito
A dignidade se foi
Cheiras a esgoto
Tratam-te como merda
E estás contente
Não chegou a tua vez
Nem a do teu irmão
Talvez nem a do teu vizinho
Ouviste falar
Desempregado
Quem?

A tua vez vai chegar
Está bem perto
Dormes sem dormir
O terror tomou-te
A cobardia é ainda maior
Aceitarás tudo
Até chegar o teu dia
Até chegar a tua hora
Estás só
Vais estar mais só
Terrivelmente só
Até que a noite
Te obrigue a partilhar
Um pedaço de pão
Apanhado no caixote
Do restaurante
Uma manta
Do estranho
Que o frio matou
Ainda estás a tempo
Ainda há espaço
Ainda há forças
Para gritar NÃO!
Para gritar BASTA!

Eles têm medo
Que percas o medo
Que levantes a cabeça
Que deites fora  o automóvel
O televisor
O telemóvel
A ipod
O cartão de crédito
Eles têm medo
Têm muito medo
Que percas o medo



Olha o teu roupeiro
dez camisolas
vinte camisas
outras tantas cuecas e meias
tres telemóveis
na secretária
o ultimo pc
na cave mais tres pcs
máquinas de lavar, fogões,
máquinas de escrever, calcular,
Brinquedos
Imensos brinquedos
E muitos outros objectos
Inuteis
Um, dois automóveis automóveis
Bicicletas
Na casa de banho
Mil frascos
Perfumes muitos
Sabões de todos as cores
Para diversas funções
Na cozinha
Onde antes havia
Sabão azul e
Sabão amarelo
Dezenas de produtos
Rivalizam entre si
Cada um com a sua missão
Onde só a embalagem muda
Ou a composição se altera
Vai de férias
Para dentro dizem uns
Para fora garantem outros
Milagre do cartão de crédito
Quanto mais deves
Mais medo tens
A força deles está no teu medo
Eles sabem como alimenta-lo
O teu medo
O nosso medo
Até quando?
Sim até quando?
Deixaste de pagar
Deixamos de pagar
O medo está a propagar-se
Agora eles começam a ter medo
Muito medo
Que tu digas não
Não pago
Ou mais medo ainda
Não pagamos.
NÃO PAGAMOS!

Se eu, tu, nós
Tivessemos coragem
Desligavamos a Televisão
O Telemóvel
Voltávamos à Praça
Para falar
Para conviver
Para sorrir
Para abraçar
Para ajudar
Para amar
Tudo
Tudo isto
Antes de deitar

O que é que te falta?
Organização!
Eles estão organizados
Fortemente organizados
Com partidos, exércitos, policiais, serviços secretos, eles têm medo, muito medo. Porque eles têm tudo para perder.
E tu?
O que tens para perder?
Nada!
Ou muito pouco.
Basta-te a dignidade
Se a perdes
O que te fica?

Proponho-te o seguinte:
Exige ao teu partido
O salário máximo nacional igual a dez salários mínimos.
Salário mínimo x 10 = Salário Máximo.

A reforma máxima igual a cinco salários mínimos.
Salário Minimo x 5 = Reforma Máxima.

Se os ricos querem melhor salário e melhor reforma que aumentem o salário mínimo.

Para o teu carro, utiliza a bicicleta ou o transporte público. Troca-o só de 10 em 10 anos.
Faz o mesmo com todas as bugigangas de que és dependente, tele móveis etc...
Talvez os Finlandeses passem a respeitar mais os povos do sul.
Para que é que queres um carro de luxo se fazes o mesmo com um carro barato até em 2.ª mão.
Não utilizes o cartão de credito, gasta só o que pode o teu orçamento e poupa 5%,
É difícil, se tens emprego é uma questão de disciplina.
Desde quando há ar condicionado em Portugal e na tua casa? Para que serve?
Três televisores em casa, um já é um cancro três é sono posto.
É envenenamento permanente em fogo lento.
A crise, o medo.
A juventude o medo.
Os velhos o medo.
O desemprego o medo.
A fome o medo.
Arromba as portas do medo, sai de casa vem para a rua, para a praça, para o clube, para o jardim. Vem! Vem! jogar ao berlinde, dar um dedo de conversa, ler um livro, brincar com as criança, jogar às cartas com os idosos, ser solidário é ser social, é dar as mãos, é dizer basta.
Não queremos mais disso.
 Queremos um pouco de tudo e de nada para todos!

Alves Duarte